tumores de hipófise
conceitos, diagnósticos e tratamentos
A HIPÓFISE (ou glândula pituitária), é uma estrutura endócrina, localizada na base do crânio, na região da SELA TÚRCICA do osso esfenóide. Relaciona-se com o hipotálamo através da haste hipofisária e localiza-se topograficamente inferior aos nervos ópticos. Produz hormônios que controlam outras glândulas endócrinas do corpo humano, e por esse motivo, também é conhecida com a “Glândula Mestra”, exercendo um papel fundamental na regulagem do sistema endocrinológico de nosso organismo.
tumores de hipófise: Classificações
Os TUMORES DE HIPÓFISE, na maioria dos casos, são os ADENOMAS BENIGNOS. Histologicamente, originam da replicação anormal das células glândulares da hipófise. De acordo com o tamanho, são classificados em MICROADENOMAS (até 1cm de) ou MACROADENOMAS (maiores que 1 cm de diâmetro). Também podem ser classificados de acordo com a capacidade de produzir hormônios. As lesões produtoras de hormônios são classificadas como de ADENOMAS HIPOFISÁRIOS FUNCIONANTES, os não produtores são chamados de ADENOMAS HIPOFISÁRIOS NÃO FUNCIONANTES ou SILENTES.
Existem outras classificações, as quais avaliarmos a extensões e grau de invasibilidade tumoral nas estruturas neurovasculares da região sela túrcica. As mais utilizadas na propedêutica neurocirúrgica contemporânea são as Classificações de WILSON-HARDY e KNOSP, as quais levam em consideração as dimensões tumorais, extensão suprasselar, erosão da sela túrcica, invasão do seio esfenóide e estruturas vasculares dos seios cavernosos.
sinais e sintomas
Os sintomas dos tumores da região hipofisária são muito variáveis, e podem ser decorrentes do aumento do volume tumoral (no caso dos macroadenomas), produção excessiva de determinados hormônios ou complicações secundárias, como a hidrocefalia (acúmulo de líquido nas vias de drenagem do líquor) ou apoplexia (sangramento agudo intratumoral).
Os MACROADENOMAS NÃO-FUNCIONANTES, quando atingem grandes dimensões, podem levar à compressão de estruturas neurais (especialmente os nervos ópticos) ou hipertensão intracraniana. Os sintomas mais comuns são: DOR DE CABEÇA, ALTERAÇÃO VISUAL, TONTURAS e PERDA DO EQUILÍBRIO. Em casos severos, onde o paciente evoluiu com hidrocefalia, pode-se observar confusão mental e rebaixamento do nível de consciência.
Já nos ADENOMAS FUNCIONANTES (geralmente microadenomas), os sinais e sintomas relacionam-se com as disfunções provocadas pela produção excessiva de um determinado hormônio:
PROLACTINOMA (tumor hipofisário produtor de prolactina): lesão mais comum entre os adenomas funcionantes; em mulheres causam distúrbios do ciclo menstrual, produção anormal de leite (galactorréia), infertilidade, desinteresse sexual e osteoporose. Nos homens provocam crescimento das mamas (ginecomastia) e disfunção erétil. Esse tipo de tumor pode ser tratado clinicamente com o uso de cabergolina.
GIGANTISMO e ACROMEGALIA (tumor produtor de GH - hormônio do crescimento): crescimento acelerado das extremidades e ossos da face, com altura maior a esperada para a idade, artralgias, sudorese, diabetes e cardiopatias.
SÍNDROME DE CUSHING (adenoma produtor de ACTH): devido ao aumento do cortisol, os pacientes apresentam ganho de peso, aumento anormal dos eplos (hirsurtismo), estrias na pele, acúmulo de gordura atrás do pescoço, osteoporose, diabetes, e hipertensão arterial
HIPERTIREOISIMO CENTRAL (tumores produtores de TSH): tais lesões cursam com sintomas de hipertireoidismo, sendo frequentemente diagnosticados após investigação endocrinológica de aumento dos hormônios tireoidianos e sinais clínicos de tireotoxicose.
diagnóstico e EXAMES COMPLEMENTARES
O DIAGNÓSTICO é realizado com avaliações médicas especializadas, coletando dados importantes sobre a cronologia dos sinais e sintomas, HISTÓRIA CLÍNICA detalhada e realização de EXAMES COMPLEMENTARES como RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DE SELA TÚRCICA, TOMOGRAFIA DOS SEIOS DA FACE CAMPIMETRIA VISUAL e SCREENING HORMONAL COMPLETO. É fundamental excluir todas as possibilidades, incluindo alterações hormonais decorrentes de outras glândulas endócrinas, como tireóide, adrenal, ovários e testículos. Após uma avaliação multidisciplinar completa, incluindo médicos endocrinologistas, oftalmologistas e neurocirurgiões, podemos definir com clareza e segurança a melhor estratégia terapêutica para um determinado caso.
Durante a fase de investigação e diagnóstico, procuramos identificar se a lesão hipofisária é passível de tratamento clínico em um primeiro momento, utilizando medicações orais que atuam reduzindo do volume tumoral e a produção hormonal em excesso. Os PROLACTINOMAS que especial são tumores que respondem muito bem ao uso da CABERGOLINA (anti-dopaminérgica). Pórém, outros aspectos devem ser considerados, especialmente em lesões de grandes dimensões com compressão do quiasma óptico, presença de hidrocefalia ou apoplexia aguda, sendo indicado nesses casos a abordagem neurocirúrgica precoce.
TRATAMENTO
O TRATAMENTO dos adenomas hipofisários é MULTIDISCIPLINAR envolvendo especialmente médicos endocrinologistas e neurocirurgiões. Os tumores produtores de prolactina (prolactinomas) são tratados inicialmente com medicação (carbegolina), reservando-se a cirurgia para os pacientes sem resposta ou intolerantes ao tratamento. Os demais adenomas funcionais têm tratamento cirúrgico como primeira opção.
Os macroadenomas não produtores de hormônios, com sintomas de compressão dos nervos ópticos e/ou hipertensão intracraniana são tratados majoriamente com adordagens cirúrgicas. A técnica mais atual mais utilizada é a CIRURGIA ENDOSCÓPICA ENDONASAL MINIMAMENTE INVASIVA POR VIA TRANESFENÓIDE, que consiste no acesso cirúrgico através do nariz com auxílio de câmera endoscópica de alta definição. Tal técnica, dispensa a necessidade de grandes incisões e abertura do crânio, além de garantir uma visualização direta da sela túrcica e melhor recuperação do paciente no período pós-operatório.
Se você ou um ente querido foi diagnosticado com um tumor de hipófise e necessite de suporte para avaliação das opções de tratamento, entre em contato com nossa equipe. Estamos à disposição para oferecer o suporte neurocirúrgico mais avançado no diagnóstico, manejo terapêutico e seguimento do seu caso.

